RUMINANTE
Eu gostaria de não lembrar das coisas que eu vi
Eu gostaria de esquecer
Queria não ser tão observadora
Queria não ter pegado as informações
E as transformado em
uma verdade avassaladora
Por isso, finjo que não me machucou
Que não desmoronei
Caindo dentro de mim mesma
Num completo e absoluto ermo
Volto aos risos e aos sorrisos
Às histórias e aos cataclismos
Como se nada em mim tivesse rompido
Se alterado por completo e finito
Depois de ter sido acertada em cheio
Por um grito, em alto e bom tom,
Me dizendo que Não.
Não sou perfeita, não sou bonita, não sou inteligente, não o
suficiente, não fui escolhida, não sou a favorita, não posso, não quero, não
consigo, não entendo e não acredito.
Mas não desisto.
Sigo o fingimento, o teatro do contento
Enquanto se passa aqui dentro
A ruminação de todo evento
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