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Mostrando postagens de 2021

Ele sou eu, e eu sou dele

  Ele sou eu, e eu sou dele Carrego as minhas dores e as dele Vivo através dele e ele através de mim Me atravessa por inteira Carregando um pedaço de mim Em seu olhos me reconheço E nos meus estará para sempre Do mesmo jeito que lá no começo Desde lá do meu ventre Eu sou eu, e eu sou dele Ao seu lado quero sempre estar A olhar e observar E para sempre amar Ele sou eu, e ele é meu

Eu não quero não amar

  “De que vale um poeta?... um pobre louco Que leva os dias a sonhar?... insano Amante de utopias e virtudes E, num templo sem Deus, ainda crente?” UM CADÁVER DE POETA - Álvares de Azevedo Dentro de mim há um poeta ultrarromântico sedento por novos amores, mas eu o sufoquei por tanto tempo que eu não consigo mais acreditar no amor (ultra)romântico. Esse meu pequeno poeta costumava ser meu escape, meu deus do céu, quantas foram as situações imaginadas na minha cabeça, os delírios, as histórias de amor perfeitas (considerando, obviamente, que eu sou uma ultrarromântica, mantenham em mente que o drama, o desencanto, o desalento e o grotesco fazem grande parte dessas histórias, mas sempre com aquela dualidade etérea, pura e angelical, que para mim, honestamente, apenas trazem a verossimilhança, nem tudo é mau ou bom o tempo inteiro, a vida é feita de acontecimentos e sentimentos bons e ruins) que nunca tinham fim, se repetiam na minha mente dias e noites sem fim, bem reais ou...

O melhor que já tive

    “There was this boy who tore my heart in two I had to lay him eight feet underground” Goin’ Down - The Pretty Reckless   A noite é fria, coberta por uma neblina espessa e misteriosa, alguns pingos de chuva pesados grossos caem em meu rosto, misturam-se às minhas lágrimas, tornando gelado o que era quente. Ajoelhada ao chão em meio à grama e à lama, cavo com minhas próprias mãos, o mais fundo que eu conseguir, mesmo que me doam as mãos, mesmo que os dedos congelem, mesmo que minha visão fique cada vez mais embaçada, minhas roupas cada vez mais encharcadas, minhas pernas cada vez mais enlameadas. A cova precisa ser funda, onde não mais possa encontrá-lo, onde não mais possa resgatá-lo. O cansaço, a dor da alma e a dor física se misturam entre si, assim como a lama, a chuva, as lágrimas, dando origem a um imenso vazio, um buraco, profundo e grande o suficiente para se enterrar um corpo. Não mais o quero em minhas paredes, me assombrando, caminhando pela casa, s...

Amontoado de clichê

  Mais um dia se passa em que eu só penso em você, a noite chega e lá vou eu novamente sonhar com você, não aguento mais essa tristeza iminente pairando sobre a minha cabeça só porque não posso ficar com você. Toda vez que olho para cima o céu está cinza, gotas de chuvas caem deslizando pela minha face, a água morna passando pelas minhas bochechas encontra seu fim no meu queixo e se joga, atinge o chão e se espalha, assim como minha vontade de você que nunca parece ter fim, vai apenas correndo, se chocando com as coisas no caminho, se transformando, evaporando e voltando para mim em forma de lágrimas. Eu não aguento mais, ainda assim continuo aguentando dia após dia, a dor da sua ausência não é uma das coisas que passa com o tempo, pelo visto continuarei para sempre sentindo sua falta, para sempre sentindo que uma parte de mim não está bem e nunca estará, que em alguma outra dimensão tivemos um destino diferente e vivemos um completando o outro, trazendo nosso melhor à tona, enqu...

Cansada de novo

  Extremamente cansada de me sentir cansada O corpo e a mente não me ajudam Cansada de tanto me sentir desanimada E sem energia para nada Tentando desesperadamente alcançar algum tipo de escape Em alguma coisa artística que me faça expurgar toda apatia Mas isso tudo é em vão Os dias vem e vão E me parecem todos iguais Cansativos, repetitivos, sem nenhum respiro Quando será que essa rotina sugadora de energias irá acabar? Ainda terei eu alguma alma a sobrar?  

Que culpa tens tu de meus pecados?

  Comecei a me perguntar se não estaria eu no inferno, ou pelo menos algum tipo de purgatório. Eu lá parada e as pessoas passando ao meu redor, falando coisas sem nenhum sentido para mim, sem nenhuma importância. Minha cabeça aérea e eu olhando fixamente para algum lugar vendo o nada passar, pensando em como queria te reencontrar, mas não conseguia me mover. Imóvel e gelada como uma estátua presa em minha própria mente tentando achar algum jeito de chegar até você, sem conseguir ao menos me mover. Questionei-me se não estaria então morta, finalmente pagando por todos aqueles meus pecados acumulados durante anos e anos de libertinagens e escolhas egoístas que me deram algum momento de prazer. Vejam só, os cristãos estariam certos e eu estaria ali agora pagando o preço de não os ter ouvido, logo eu que tive tanto acesso a essas informações, o castigo poderia até mesmo ser bem caprichado para mim, pois desculpa de não saber ser pecado eu não tinha. Mas eu só queria olhar em teus olh...

Quem cuida das almas cansadas?

Quem cuida das almas cansadas? Quando o senhor do sono já não basta Quando não há mais descanso que afaga Essa dor no peito que queima Esse peso nas costas que transborda E flui pelo mundo a fora Arrastando toda existência que ainda resista Afogando toda e qualquer esperança de uma vida melhor Mais leve, mais fácil, um pouco mais afável Mas quem é que cuida dos cansados? Quando não mais podem cuidar de si mesmos Quando já toda energia desapareceu Toda essa escassez do que um dia foi um eu Seco, tórrido, esturricado Já não se sabe mais o que ali havia Mas quem é que cuida da alma que ali morada fazia? Para onde vai minha alma quando não mais aguentar? Espero que para algum lugar onde possa descansar

Mariposa

“I don't fly around your fire anymore Burnin', fallin' down so many times before” Moth – Audioslave   I am but a moth Flying into the night Blending into the sky and Hiding in disguise Between all that black and brown I am nothing but a lie I supress my feelings And pretend like I’m alright Wanting you Watching you from behind   Como uma mariposa em tons de marrom eu voo pela noite escura, passando por todas essas sombras indefinidas, retorcidas e iluminadas apenas pela lua. Ah, a Lua! Esfera brilhante acima de nós impossível de se alcançar, serve apenas para ser admirada em distância por sua beleza exuberante e silenciosa. Mas quando o céu coberto de nuvens cizentas está, nem um feixezinho de luz há de passar, nenhum sequer para meu caminho iluminar. E no momento de maior escuridão, quando o todo se juntava e formava um grande e aterrorizante nada, foi quando lhe encontrei. Uma pequena lamparina, com sua pequena chama ardendo tão forte por dentro....

Destruição

  De dentro do meu castelo, eu vi tudo desmoronar, pedra atrás de pedra rolando sem parar, e eu ali no meio dos destroços sem parecer me importar. Parada em pé, olhando para o alto vendo tudo se despedaçar diante dos meus olhos sem nada poder fazer, sem acreditar e nem saber direito o que de fato estava acontecendo. As coisas caíam uma por cima das outras criando mais destruição ainda, e eu lá dentro assistindo de camarote sem nada poder fazer, atônita, sem conseguir me mover. Os pedaços foram caindo em cima de mim e nada pude fazer senão apenas aceitar, reconhecer a dor que estavam me causando e que não há ninguém que possa me salvar. Paus, pedras, pedregulhos caíam sobre mim, me acertavam em cheio ou apenas passavam por mim me arranhando, finalmente tentei me proteger, mas foi em vão, me vi soterrada, despedaçada, em ruínas e me rendi ali mesmo no chão. Parada, deitada, cansada, sem conseguir ver nada, coberta por escombros, assim fiquei por um tempo, sem forças nenhuma par...