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Mostrando postagens de agosto, 2016
Como a morte Por um anjo da morte fui tocada A mão gélida decrépita de quem um dia foi vivo E agora caminha como uma alma penada Levando minhas memórias Minhas vontades E seus motivos A dor no peito se intensifica A ânsia vem à boca E a vida passa na minha mente Revivendo os bons momentos do passado Para que a dor da perda seja mais latente E vai embora apressado Como se nunca ali estivesse presente Anjo da morte que leva minha alma Mas esquece de meu corpo Casca sem vida, sem nada Perdida num mundo que já acabou E que se recusa a deixar a lembrança De que um dia o anjo da morte Foi a esperança Que me deixou

CORVO

A noite está fria e sombria, chove e venta bastante, então, fecho as janelas e os ramos das árvores se chocam contra o vidro da janela incansavelmente fazendo ruídos assustadores que se espalham pela casa vazia, com os móveis empoeirados, as paredes rachadas e a pintura descascando. Sentada em minha poltrona velha e manchada, puída, desfiada e um tanto cansada dos longos anos de existência bebendo um copo de vodca barata, ouço um estrondo na janela, como alguma coisa mais pesada que os ramos das árvores batendo contra o vidro com força, levanto-me para verificar, mas paro ao ouvir a porta se abrir. Ao virar me deparo com um homem grande vestindo uma capa preta com capuz que cobre completamente seu rosto deixando aparecer apenas uma barba espessa e negra e com um machado na mão, dá um passo à frente e, pingando da chuva, molha todo o meu chão. Permanece alguns segundos parado, depois vem em minha direção correndo, grunhe e finca o machado entre meus olhos. Vou caindo enqua...