Mantis demorosa
Quando certa manhã Bárbara acordou de sonhos intranquilos, decidiu matar todos os homens com quem já havia transado. Obstinada, levantou-se abruptamente de sua cama, escovou seus dentes com força olhando firmemente para o espelho em sua frente com olhos pesados cheios de olheiras que já haviam visto de tudo. Um cuspe certeiro dentro do ralo da pia. Eles me pagam. Fez seu café como o habitual, preto, forte, sem adoçar. Entornou a xícara de uma só vez. Um leve espasmo na boca ao engolir o líquido quente lhe forneceu um ar ainda mais maníaco. A pálpebra também tremia, incessantemente. Eles vão ver só. Vestiu sua blusa preta, sua calça preta, suas meias rosas com desenhos de unicórnios e arco-íris e seus coturnos pretos. Pegou a carteira, as chaves e o celular, um casaco porque poderia ficar frio, amarrou-o na cintura e saiu porta afora rapidamente, deixando a porta do apartamento bater com um estouro atrás de si. Voltou e abriu a porta novamente assustada: esqueceu de dar um beijinho de d...