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Mostrando postagens de 2023

23 Gatos pretos

  Quando certa manhã Helena acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama rodeada de gatos. O estranho disso tudo era que Helena não tinha gatos, nunca teve gatos, nunca nem gostou de gatos. Ainda assim, agora sentada em sua cama, estava na companhia de cinco gatos, todos pretos, alguns a fitando sem parar com seus grandes olhos amarelos, e outros apenas dormindo tranquilamente enrolados em si próprios e parecendo incomodados à medida que ela se mexia para levantar. Saiu de sua cama devagar e cuidadosamente com medo de desagradar algum dos bichinhos misteriosos para poder ter uma visão geral do que estava acontecendo na tentativa de entender o que diabos estava acontecendo ali. Tentou espantar os gatos abanando as mãos e entonando “xô, xô”, bem de longe ainda com um leve receio dos bichanos se enfezarem e corressem atrás dela, mas isso não teve efeito nenhum sobre os gatos que continuavam ali como se nada estivesse acontecendo e como se sempre estivessem ali. Com um “x...

Phasmophobia

Chegou o dia da mudança, depois de muita procura, eu finalmente tinha achado a casinha perfeita em um lugar afastado de tudo e de todos que cabia no meu orçamento. Finalmente, teria paz. O dia inteiro foi bem corrido e cansativo, e as caixas ainda se amontoavam por todos os cômodos da casa que já vinha com alguns móveis velhos dos antigos donos. A casa toda tinha um ar meio macabro, ainda mais agora sem a luz do sol. Alguns cômodos não tinham lâmpadas, os móveis antigos cobertos com lençóis empoeirados, algumas teias de aranha aqui e ali, o som da mata lá fora, tudo isso junto começava a criar um pequeno frio em minha barriga, que logo descartei, besteira minha, pensei. Virei em um corredor e dei de cara com uma foto bem sinistra pendurada na parede, nela, dois velhinhos e uma criança claramente endemoniada, a coisa começava a ficar séria. Decidi, então, dormir, minhas sinapses não estavam em sua condição normal obviamente, pois já estava certa de que a casa era pelo menos um pou...

FOME

Sentado no chão gelado da cozinha, bem à sua frente um prato vazio, sem nenhum sinal de comida, nem uma migalha sequer, já faz quinze minutos desde sua última refeição. Claramente não se importam mais com ele, a barriga ronca de fome, a fraqueza toma conta, com seu último suspiro, sai um miado. Um humano se aproxima e repõe a ração no pratinho. Mais uma crise evitada. Da próxima vez não esperará tanto, antes que a fome fique insuportável, já estará miando.