Eu não quero não amar
“De que vale um poeta?... um pobre louco Que leva os dias a sonhar?... insano Amante de utopias e virtudes E, num templo sem Deus, ainda crente?” UM CADÁVER DE POETA - Álvares de Azevedo Dentro de mim há um poeta ultrarromântico sedento por novos amores, mas eu o sufoquei por tanto tempo que eu não consigo mais acreditar no amor (ultra)romântico. Esse meu pequeno poeta costumava ser meu escape, meu deus do céu, quantas foram as situações imaginadas na minha cabeça, os delírios, as histórias de amor perfeitas (considerando, obviamente, que eu sou uma ultrarromântica, mantenham em mente que o drama, o desencanto, o desalento e o grotesco fazem grande parte dessas histórias, mas sempre com aquela dualidade etérea, pura e angelical, que para mim, honestamente, apenas trazem a verossimilhança, nem tudo é mau ou bom o tempo inteiro, a vida é feita de acontecimentos e sentimentos bons e ruins) que nunca tinham fim, se repetiam na minha mente dias e noites sem fim, bem reais ou...