BRUXA
Há muitos anos, minha
família, famosa por ser muito religiosa e defensora da moral e dos bons
costumes, capturou uma bruxa acusada de fazer feitiços para seduzir e controlar
a mente de meus familiares e roubar seus tesouros, logo antes de ser queimada
viva na fogueira para pagar por seus crimes, a bruxa lançou uma maldição em
minha família. A maldição dizia que ela retornaria sempre como a segunda filha
na linhagem da família até que ela conseguisse sua vingança matando todos a
partir de dentro da família quando eles menos esperassem.
Portanto, ao longo
dos anos, minha família vem matando todas as segundas filhas assim que nascem a
cada geração em uma tentativa de se proteger da maldição. Mas eu sou a segunda
filha. Quando minha mãe me teve ela me escondeu no porão da casa e mentiu
dizendo a todos os familiares que já havia me matado. Minha mãe me disse que quando
ela olhou em meus olhos não conseguiu ver nenhum mal, não acreditava que um
bebezinho inofensivo fosse capaz de carregar tamanha maldade pregada pela
maldição, então, não teve coragem de me matar.
Minha irmã mais velha
era a única outra pessoa que sabia sobre mim, por isso, costumava me trazer
comida e muitos livros para eu poder me entreter, não há muito o que se fazer
em um porão. Ela era muito boa para mim e sempre estava disposta a conversar e
brincar comigo diferentemente de minha mãe que sempre parecia nervosa e
desconfiada sempre que estava perto de mim como se eu fosse lhe fazer algum mal,
tudo piorava quando minha irmã me fazia companhia, minha mãe não a queria muito
perto de mim e proibia que nós ficássemos sozinhas no porão, mas minha irmã
sempre dava um jeito de passar algum tempo comigo.
Certo dia, eu estava
lendo um livro sozinha esperando minha irmã fosse me visitar quando ouvi gritos
que vinham de dentro da casa, mas eu não podia subir as escadas porque minha
mãe ficaria brava comigo, então, fiquei parada em pé olhando para a porta no
topo das escadas, ouvi barulhos de coisas caindo, quebrando e mais gritaria e,
de repente, silêncio. Então, ouvi passos apressados se aproximando, e a porta
se abriu: era minha mãe, que entrou e trancou a porta rapidamente, ela estava
machucada e sangrando muito e ficava gritando desesperadamente com um olhar
cheio de medo que eu tinha que fugir porque a bruxa estava vindo e repetia sem
parar que a bruxa estava vindo, tentei acalmá-la dizendo que eu não ia
machucá-la, foi quando ela me disse que eu não era a bruxa, ela teve um aborto
quando mais nova, logo nos primeiros meses da gravidez, e isso fazia com que,
na realidade, minha irmã fosse a segunda filha da geração. Agora minha mãe está
morta em meus braços, e minha irmã está batendo na porta me chamando para
brincar.
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