Qual feitiço que eu faço para te esquecer?
Acendi uma vela preta, escrevi
seu nome num papelzinho, fechei os olhos e respirei fundo, pensei: que seja bem
feliz, bem longe de mim e não volte mais. Abri os olhos e vi seu nome queimando
no fogo da vela, e num rompante de arrependimento, talvez, pensei: se for da
vontade do Universo, se não for, pode voltar. As cinzas voaram, e, no dia
seguinte, você voltou.
Essas coisas me assustam. Não
o pequeno feitiço com a vela, não o fato de você ter voltado, mas essa nossa
obsessão um pelo outro. Não parece ter fim, e eu já desisti de tentar me livrar
disso, estou apenas tentando lidar com o fato de que você vai sempre existir na
minha vida, mas nem sempre de perto, nem sempre da maneira que eu quero, e eu
vou ter que aceitar e aprender a viver com isso.
Tentei te tratar como um cara
qualquer, que vai e volta a hora que quer e não daria para eu me importar
menos, mas você não é qualquer um. Não sei se é porque você participou de um
momento muito importante da minha vida, que foi certamente um divisor de águas,
ou se é justamente porque eu estava em um momento de transição completamente
caótico e eu queria que você pudesse me conhecer agora que o caos supostamente
já deu uma diminuída e eu fiz grandes mudanças, decisões e conclusões sobre
minha vida e personalidade. Mas não dá para se ter tudo que quer, até porque algumas
dessas mudanças são completamente incompatíveis com você e com a gente. Até
porque também eu não aceitaria metade das coisas que eu aceitei e seria muito
mais insuportável e inflexível, pode ter certeza. Além disso, uma das
conclusões foi que eu não posso ter qualquer tipo de relacionamento mais sério
agora, não quero perder minimamente a pouca liberdade que tenho e não tenho
interesse em ceder em nada, e eu tenho plena consciência de que isso nunca
daria em um relacionamento saudável. Melhor, então, deixar para lá. Para mim,
não vale a pena.
Tendo isso tudo em mente, sabendo
muito bem, nós dois, que não fomos feitos um para o outro como pregam por aí todas
as histórias românticas mais conhecidas, por que insistimos? Seria possível a existência
de alguma ligação cósmica, mística e/ou divina?
Estou eu aqui presumindo que
essas são questões também suas, assumindo, com muito risco de estar errada, que
eu ainda te conheço, que você ainda me admira, que ainda somos de alguma forma
parecidos. Bem inocente da minha parte, eu diria, já que estou aqui discutindo
questões nossas, ou minhas, mas que envolvem você, sem você.
Sei lá, a conversa é boa, o
sexo é bom, por que não poderíamos parar por aí? Por que, Universo, por quê?
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