Ameno
Falei que estou apaixonada
E que ver ele apaixonado por outra
Está me matando
Falou que gosta de mim
E sente minha falta
Mas que lindo sentimento ameno
Pena que não me afaga
Eu aqui transbordando
E você pingando
É pouco, tão pouco
É morno
E não mata minha fome
É gota de chuva caindo calma
Em cima da expelida lava
De um vulcão adormecido
Que explodiu sem aviso
É o mar me engolindo por inteira
Entre uma onda atrás da outra
E você molhando os pés na beira
É a contínua depressão crônica
Me afundando na minha cama
Vendo o tempo passar
E você uma lágrima deixar rolar
É o amor que arde nas minhas entranhas
A loucura que me deixa insana
A alma saindo do meu casco vazio
E você entediado num domingo
Não é suficiente
Não cura minha doença
Não é resposta para a prece dessa poeta
Num templo sem deus, ainda crente.
Comentários
Postar um comentário