MALDIÇÃO/LIBERTAÇÃO
Há muito tempo, existia uma
lenda de uma princesa que, devido a uma maldição, tinha sido trancada em uma
torre alta sem portas e com apenas uma janela vermelha bem lá no topo da torre
que ficava distante de tudo no meio de uma floresta escura e sombria. A lenda
dizia que os pais da princesa que viviam em um reino muito distante dali foram
obrigados a trancafiá-la nessa torre até que algum homem honrado a salvasse e a
livrasse de tal maldição. Alguns ainda acrescentavam que apenas o tal beijo de
amor verdadeiro a libertaria e que o homem deveria ser um príncipe, mas pouco
se sabia sobre a verdadeira maldição.
Durante anos e anos homens
adentravam tal floresta, ou voltavam sem ter achado a torre ou não voltavam
nunca mais. E, assim, a lenda perpetuava-se e cada vez mais informações eram
acrescentadas, como a existência de um tesouro dentro da torre ou de um dragão
que protegia a princesa e não deixava nenhum homem sair vivo. Alguns diziam que
não existia torre nenhuma e que não acreditavam em coisas como maldições.
- Mas é claro que maldições
existem! – Bradou um homem ao terminar de beber sua caneca de cerveja batendo-a
com força no balcão.
Era um homem forte, robusto,
com braços musculosos e barba espessa. Dizia-se quebrador de maldições e
resgatador de donzelas e fazia isso apenas pela honra e pelo bem das mulheres
em necessidade e não por tesouros e mérito. Pediu mais uma cerveja à taverneira
e disse que iria resgatar tal princesa amaldiçoada. Mal acabou a cerveja já foi
recolhendo suas armas e vestindo sua cota de malha seguida de sua armadura
reluzente.
Caminhou dias e noites
floresta adentro sem achar nenhum sinal da torre amaldiçoada. Já cansado e
quase desistindo avistou um riacho de águas claras, resolveu descansar um pouco
à beira do riacho, tirou toda a sua armadura, a cota, as armas e colocou-as em
cima de uma pedra. Entrou no riacho para se lavar e bebeu um pouco de sua água,
ao sair sentiu grande sono e acabou dormindo deitado na grama. Acordou um pouco
zonzo, já era noite, e avistou uma luz amarela do outro lado do riacho, foi
seguindo aquela luz sem pensar muito, as folhas roçavam em seu rosto, esbarrava
em uma árvore ou outra até que chegou em uma clareira com uma torre alta e com
ares sinistros, a luz vinha de uma janela bem no topo da torre, planejava
escalar até o topo usando seus fortes músculos e matar o dragão com suas
próprias mãos quando percebeu que havia uma porta na base da torre e estava
aberta e até agora nem sinal do dragão.
Entrou na torre e foi subindo
as incontáveis escadas até o topo, onde encontrou um pequeno quarto de onde
vinha a luz que avistara no riacho, era uma lamparina em cima de uma cômoda
simples ao lado de um espelho e um punhado de cabelos negros. A porta fechou-se abruptamente. Ao olhar para
trás o homem avistou uma mulher com cabelos negros curtos bagunçados e cortados
de qualquer jeito e vestia uma camisola branca com algumas manchas. A mulher
estranhou o homem estar sem armas e armadura, e o homem disse que ela não
precisava se preocupar, pois ele era forte o suficiente para matar qualquer
monstro com suas próprias mãos. A mulher riu, se aproximou dele e disse que não
havia monstro nenhum ali, somente ela, enfiou a adaga que escondia em suas mãos
atrás de seu corpo na barriga do homem que, atônito, deu alguns passos para
trás apoiando-se na janela.
- Então essa é a maldição?
Você mata todos os homens que tentam lhe resgatar?
O homem se desequilibra e cai da
janela enquanto a mulher grita:
- Isso não é maldição, é
libertação!
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