Destruição

 

De dentro do meu castelo, eu vi tudo desmoronar, pedra atrás de pedra rolando sem parar, e eu ali no meio dos destroços sem parecer me importar. Parada em pé, olhando para o alto vendo tudo se despedaçar diante dos meus olhos sem nada poder fazer, sem acreditar e nem saber direito o que de fato estava acontecendo. As coisas caíam uma por cima das outras criando mais destruição ainda, e eu lá dentro assistindo de camarote sem nada poder fazer, atônita, sem conseguir me mover. Os pedaços foram caindo em cima de mim e nada pude fazer senão apenas aceitar, reconhecer a dor que estavam me causando e que não há ninguém que possa me salvar.

Paus, pedras, pedregulhos caíam sobre mim, me acertavam em cheio ou apenas passavam por mim me arranhando, finalmente tentei me proteger, mas foi em vão, me vi soterrada, despedaçada, em ruínas e me rendi ali mesmo no chão.

Parada, deitada, cansada, sem conseguir ver nada, coberta por escombros, assim fiquei por um tempo, sem forças nenhuma para reagir. Tudo já estava perdido.

Mas veja bem, há beleza na destruição e há também criação. No caos dos amontoados de destroços ainda há vida e lembranças. Nas pedras, crescem musgos e pequenas plantas e insetos. O vermelho brilha do sangue escorrido, os hematomas têm cores, formas e constelações. A poeira sobe e se dispersa no ar desaparecendo. Tudo na verdade ainda está ali, ainda que você não consiga ver, pois foi transformado. A dor ainda é latente, mas também se transforma eventualmente.

Abro meus olhos, levanto-me e dou alguns passos em direção a uma pedra grande o bastante para me servir de banco. Sentada observo tudo ao meu redor com lágrimas nos olhos. Chorarei o quanto for preciso para lavar os destroços e finalmente voltar à minha vida, sem nunca esquecer o que foi transformado: em dor, em saudade, em cicatriz, em lembrança, em espírito e em amor.

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