Mariposa

“I don't fly around your fire anymore

Burnin', fallin' down so many times before”

Moth – Audioslave

 

I am but a moth

Flying into the night

Blending into the sky and

Hiding in disguise

Between all that black and brown

I am nothing but a lie

I supress my feelings

And pretend like I’m alright

Wanting you

Watching you from behind

 

Como uma mariposa em tons de marrom eu voo pela noite escura, passando por todas essas sombras indefinidas, retorcidas e iluminadas apenas pela lua. Ah, a Lua! Esfera brilhante acima de nós impossível de se alcançar, serve apenas para ser admirada em distância por sua beleza exuberante e silenciosa. Mas quando o céu coberto de nuvens cizentas está, nem um feixezinho de luz há de passar, nenhum sequer para meu caminho iluminar. E no momento de maior escuridão, quando o todo se juntava e formava um grande e aterrorizante nada, foi quando lhe encontrei. Uma pequena lamparina, com sua pequena chama ardendo tão forte por dentro. Tão pequena, mas tão intensa. Parecia dançar e me chamar para ficar junto à ela. Parecia que precisava de mim tanto quanto eu precisava dela. Me afobei e voei desajeitadamente em sua direção o mais rápido que pude, apenas para descobrir o vidro que lhe isola do mundo exterior, invisível, mas duro o suficiente para me impedir de entrar enquanto me debato insanamente ao seu redor. Desejando-lhe cada vez mais enquanto ela permanece lá, intacta. Vivendo sua vida como se nada lhe incomodasse, segue queimando, cada vez mais fraca, mas não parece se importar. E eu lá fora me debatendo, enfurecidamente, mas sem causar nenhum impacto aos arredores, minhas dores não são ouvidas, cada batida no vidro é quase imperceptível, silenciosa e ninguém realmente se importa.

Batendo e batendo e batendo contra o vidro, tantas vezes, tão decidida, meu deus! Eu só queria sentir um pouquinho de sua intensidade, me dê só um pouco, por favor. Eu só queria me sentir viva, mesmo que isso acabe comigo. Mesmo que a chama queime minhas asas e me impeça de voar, finalmente sentirei seu amor arder e seu fogo me aquecer.

Mas dentro desse mundo gigantesco, infinito e cheio de sofrimentos, o que é uma mariposa se chocando incansavelmente contra uma lamparina senão mais uma frivolidade da vida?


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