Todos os tipos de nada

Cheguei em casa, sentei em minha cama e lá fiquei parada no escuro pelo que me pareceu uma vida inteira sentindo nada. A gravidade me parecia especialmente agressiva me puxando para baixo enquanto minha mente enlouquecia tentando se elevar, mas não conseguia. E eu olhava para o nada na escuridão dentro de mim mesma, incapaz de sentir qualquer tipo de emoção. Tentei chorar, mas foi em vão. Tentei me levantar, mas desisti, não tinha forças e nem vontade. Finalmente deitei e dormi.
Os dias foram passando e mais nada foi me encontrando. Não fiz nada, absolutamente nada, ainda assim, as roupas foram se acumulando em uma cadeira, copos, pratos, talheres largados por todo lado, sujeira e poeira pelos cantos de meu quarto. A cama parecia estar em sintonia comigo, de tanto me remexer e me rolar para todos os lados no desespero do vazio, minha cama também se despiu de tudo e se mostrou também vazia.
Tentei preencher o nada com coisas boas que me fazem feliz, mas só me esgotei ainda mais. Me sinto rodeada por nada, em um vazio completo e, dentro de mim, um abismo profundo, escuro e frio me puxando para baixo.

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