Vida e Morte
O
dia em que a vida forem flores
O dia em que tudo
forem rosas
As rosas serão as
rosas de seu caixão, pois você estará morta
A vida é dor, é
sofrimento
Doce agonia que na
realidade é amarga
Amarga como as
mágoas que você carrega por ai
Pesando em seus
ombros cada palavra dita
Doendo em suas
entranhas as não ditas
Seus mais temerosos
atos sempre existirão
Sempre te assombrará
o que você não fez por falta de coragem
Falta de audácia,
falta de caráter
Sua vida inteira foi
uma mentira
Sua vida inteira foi
uma tentativa
Outro fracasso junto
a você arrastado para o seu caixão
Junto às rosas tão
lindas
Para uma existência
tão feia, tão sem valor
Um punhado de lindas
flores sem amor
Pois de amores você
já teve a sua cota
Não que tenham sido
muitos ou muito intensos
Apenas alguns e
todos os poucos finitos
Dolorosos e curtos
Ah, que ironia!
assim como a sua vida
Que sua morte te
traga mais vida do que a sua própria vida
Nada de descanso, de
monótona já basta a vida que levou
Foi levando,
devagar, sempre indo sem saber para onde
Rumo à morte que
agora lhe parece mais promissora que a própria vida
Vida própria que
nunca foi sua de verdade
Não fez o que quis,
quando quis
Fez o que tinha que
fazer ou o que achava que tinha
Que a dança dos
mortos lhe caiba melhor
Do que a dança da
sua vida desengonçada e estranha
Sem ritmo, sem
melodia
Parece que a marcha
fúnebre foi tocada na hora errada
Enquanto ainda viva
andava ao passo da marcha
Mas veja pelo lado
bom, suas olheiras desaparecerão
Que não são de pouco
sono, são de muito cansaço
Cansaço que só não
regeu sua vida porque a má sorte chegou na frente
Companheira maldita
de todos os dias
Porém a única que
sentirá sua falta
Para onde você vai
ela não pode te acompanhar
Que sua morte lhe
pese bem menos que sua vida
Que lhe pesou tanto
que acabou
Agora tudo são flores
Tudo são rosas
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